FIRN sedia II Intercâmbio da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia e fortalece articulação por financiamento climático direto para comunidades tradicionais.

 

O Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), em parceria com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), sediou entre os dias 15 e 22 de março de 2025 o segundo intercâmbio da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia (RFCA), reunindo em São Gabriel da Cachoeira representantes de fundos comunitários de várias regiões da Amazônia, além de organizações parceiras e lideranças indígenas.

O objetivo do encontro foi fortalecer o diálogo entre os fundos, debater estratégias de acesso a financiamento climático e promover a troca de experiências sobre a atuação em territórios indígenas, quilombolas e extrativistas. O FIRN compartilhou sua experiência de atuação no Rio Negro, destacando sua estrutura participativa e o papel das comunidades na construção das prioridades de investimento.

Durante o encontro, Moema, facilitadora do SEFRAS, conduziu uma reflexão sobre a centralidade do financiamento climático nas agendas atuais, destacando que ele já supera o financiamento tradicional voltado exclusivamente aos direitos humanos. Ela alertou sobre a importância de que os fundos e movimentos comunitários entendam os mecanismos e oportunidades desse novo cenário, para garantir recursos diretos às bases.

As discussões também se voltaram para a atuação estratégica da RFCA na COP 30, que ocorrerá em novembro de 2025 em Belém (PA), como espaço de incidência política internacional. A secretária-executiva do Fundo Babaçu, Nilce Cardoso, destacou que a integração entre os fundos permite avançar na partilha de aprendizados, desafios e estratégias coletivas:

“A troca entre os fundos fortalece nossa capacidade de atuação. Refletimos sobre como nos posicionar diante dos mecanismos de financiamento e sobre como ampliar nossa voz nos espaços decisórios”.

Além dos debates, o intercâmbio incluiu visitas às aldeias indígenas da região, como a Aldeia Cartuxo, onde os participantes conheceram experiências econômicas organizadas localmente, como cooperativas, produção de farinha de banana e cultivo de frutas. Ednalva Ribeiro, do MIQCB, ressaltou:

“A vivência direta nas comunidades foi essencial para compreendermos as realidades e dinâmicas locais. A visita à Aldeia Cartuxo nos mostrou como o fortalecimento da economia local caminha junto com a valorização cultural e o bem viver das comunidades”.

Com esse intercâmbio, o FIRN reafirma seu papel como um instrumento comunitário de promoção do desenvolvimento sustentável, e a RFCA se fortalece na missão de garantir acesso direto a recursos, autonomia financeira e justiça climática para os povos da Amazônia.

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